Aprenda uma técnica para trabalhar a gratidão com crianças e adolescentes

O retorno das aulas presenciais já é uma realidade em várias cidades do País. Escolas públicas e particulares abrem as portas para receber os alunos em um novo modelo de educação. Além das medidas de segurança e distanciamento social, o que mais é importante nesse momento de retomada? A criação de atividades com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais.

Hoje, mais do que nunca, esse tema precisa ser trabalhado na sala de aula. Não à toa, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), além de verificar a saúde física e o aprendizado, os pais também devem estar atentos a sinais de estresse e ansiedade.

Segundo a entidade da Organização das Nações Unidas (ONU), a pandemia pode estar afetando a saúde mental dos estudantes e é importante demonstrar que é normal e correto sentir-se assim às vezes. “Em caso de dúvida, empatia e apoio são os caminhos a percorrer”, diz o comunicado com as orientações.

O que fazer?

Existe uma série de tarefas que podem ser colocadas em prática. Porém, é possível começar falando sobre emoções.

As emoções que experimentamos diariamente nos influenciam de formas que nem imaginamos. Emoções negativas, que acionam e aumentam o estresse, estão relacionadas à depressão, à ansiedade e a uma série de doenças. As emoções positivas, por outro lado, exercem o efeito oposto. Ao desfazerem o efeito das emoções negativas, elas têm o poder de reduzir o estresse e, consequentemente, os problemas que ele causa.

Além disso, estudos mostram que as emoções positivas ampliam nosso repertório de ação – isto é, nos tornam mais criativos e adaptáveis. E, ao fazer isso, elas aumentam os nossos recursos, tanto os físicos quanto os cognitivos, intelectuais, sociais e psicológicos.

Podemos concluir, então, que as emoções positivas nos ajudam a ser uma versão melhor de nós mesmos. Uma série de pesquisas revelam: crianças que experimentam mais emoções positivas são menos sujeitas a ter problemas comportamentais e educacionais.

Elas também têm mais oportunidades de desenvolver habilidades para lidar com adversidades e são mais abertas para aprender novas competências. A alegria, por exemplo, torna as crianças mais criativas e engajadas nas brincadeiras, o que gera mais oportunidades de fortalecer a comunicação e os relacionamentos, além das competências sociais e de resolução de problemas.

Já deu para você perceber o quanto esse tema é importante. Mas será que podemos encorajar crianças e adolescentes a serem mais abertos às emoções positivas? Será que isso pode ter um efeito duradouro, que se estende para além da infância e da adolescência? Sim, é possível.

Vou ensinar uma prática que pode ser realizada por educadores. Essa atividade é uma boa maneira de começar a estimular os estudantes a experimentarem mais essas emoções tão necessárias para o crescimento saudável.

Cultivando a gratidão

A gratidão é uma emoção positiva que abre as portas para várias outras. Que tal propor um compartilhamento de histórias de gratidão?

Acompanhe o passo a passo:

1) Primeiro, explique à classe que eles vão falar sobre um momento em que se sentiram gratos e ouvir os colegas dividirem uma experiência também.

2) Depois, peça aos alunos que fechem os olhos e respirem fundo algumas vezes. E api, diga para eles:

“Pense em uma ocasião em que alguém fez um gesto gentil por você. Talvez essa pessoa tenha lhe dado algo, mostrado que se importava contigo ou lhe ajudado de alguma forma. Tente ver uma imagem dessa pessoa em sua mente. Visualize o que essa pessoa fez e como você se sentiu. Quando você ter essa lembrança, abra seus olhos”.

3) Em seguida, os alunos devem formar pares. Coloque duas ou três perguntas no quadro para os ouvintes fazerem. Peça que decidam quem fará as perguntas e quem as responderá primeiro.

  • Quando alguém fez algo gentil por você?
  • O que você sentiu?
  • Como você mostrou a essa pessoa o que sentia?

4) Depois que a primeira pessoa tiver a chance de responder às perguntas, peça aos alunos que invertam os papéis.

5) Quando os pares terminarem o compartilhamento, pergunte:

  • Quais foram alguns dos sentimentos sobre os quais você falou?

6) Registre os sentimentos que eles mencionarem no quadro.

7) Saliente que, quando alguém faz algo gentil ou carinhoso por nós, podemos ter muitos sentimentos diferentes, incluindo a gratidão.

8) Se os alunos discutiram como demonstraram seus sentimentos em relação à pessoa que foi gentil ou carinhosa com eles, peça exemplos do que disseram ou fizeram, como:

  • Eu disse obrigado.
  • Eu dei um abraço nela.
  • Eu sorri.

9) Reforce que pode haver muitas maneiras de mostrar que você é grato.

10) Para terminar, peça aos alunos que reflitam sobre como foi pensar em alguém que foi gentil com eles.

  • Onde eles sentiram essas emoções em seus corpos?

Você, professor ou professora, também pode pedir aos alunos que façam um desenho do que discutiram. Outra sugestão é incentivá-los a escrever algumas frases ou um pequeno parágrafo sobre o que visualizaram, como se sentiram e como podem ter reagido.

 

Gostou dessa técnica?

Se você é educador ou educadora, escreva aqui embaixo nos comentários se vale a pena aplicar essa prática. Conte, também, o que mais você já faz ou planeja fazer para trabalhar as competências socioemocionais nas suas aulas.

Já se você é pai ou mãe, compartilhe esse texto com a escola do seu filho para que ele possa passar por essa experiência com os colegas de turma.

Quer saber mais sobre o assunto? Então confira meu programa PositivaMente no Spotify , que vai ao ar toda 2ª. feira às 20h.

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