O mês de setembro é o mês escolhido para a conscientização sobre a prevenção do suicídio.

No Brasil, a campanha do Setembro Amarelo foi criada em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro).

No mundo todo, estima-se que aconteçam 800.000 suicídios por ano, uma estatística preocupante que nos alerta para a depressão*, que muitas vezes é a principal causa do suicídio.

Você sabia que, segundo um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será a doença número 1 do mundo até 2030?

 

A depressão também será a doença que mais vai gerar mais custos econômicos e sociais devido aos gastos com tratamento para a população e à perda de produção. Será que podemos impedir que esta triste previsão venha a se concretizar?

Eu, particularmente, acho que é possível, desde que um número cada vez maior de pessoas tenha acesso a informações capazes de ajudá-las a agir ativamente em prol de seu florescimento, e também do florescimento de suas famílias, comunidades, empresas e até mesmo de suas nações.

O florescimento é um amplo conceito que se tornou uma área de estudo dentro da psicologia positiva. Podemos defini-lo como viver em um nível otimizado de funcionamento humano, que estimula o crescimento, o bem-estar e a realização.

De acordo com o Dr. Corey Keyes, da Universidade de Emory – um dos grandes expoentes dos estudos sobre esse tema –, o florescimento é um estado no qual o indivíduo nutre emoções positivas em relação à vida, realiza o seu potencial e atinge objetivos imbuídos de propósito. Com base em seus estudos, Keyes desenvolveu o conceito de languishing, ou definhar. Oposto ao florescimento, o definhamento é um estado no qual as pessoas apegam-se a uma atitude de evadir-se ou esquivar-se em vez de decidir e agir, possuem uma sensação de vazio e de superficialidade e demonstram padrões mentais estreitos e repertório de ação limitado.

Uma ampla pesquisa feita por Keyes nos Estados Unidos mostrou que somente 17,2% da população adulta está florescendo. A maioria – 56,6% – possui apenas uma saúde mental definida como moderada. Ou seja, as pessoas não estão realmente bem, felizes e realizadas de fato. Ainda segundo a pesquisa, 12,1% dos indivíduos se encontram no estado de definhamento e 14,1% estão com depressão. É importante observar que definhamento e depressão não são a mesma coisa.

A depressão é uma doença, que se manifesta por meio de episódios depressivos recorrentes ou, em alguns casos, crônicos. Contudo, o definhamento, aliado a outros fatores, pode contribuir para o surgimento e a intensificação da depressão. Vem daí, pois, nossa ênfase no aumento do florescimento em escala global para que a “profecia” de que, até 2030, a depressão será a principal doença do ser humano, não se realize.

Veja a seguir os quatro componentes do florescimento:

1. Bondade: envolve sentimentos de empatia e aceitação em relação aos outros, bem como fazer “boas” escolhas, isto é, escolhas éticas que geram consequências positivas.
2. Generatividade: capacidade de ser produtivo e criativo na relação consigo e com os outros, habilidade de gerar e de otimizar seus próprios recursos (emocionais, psicológicos, mentais e até mesmo materiais).
3. Crescimento: pessoas que florescem estão em um processo de constante expansão de seus limites.
4. Resiliência: capacidade de ser bem-sucedido em face das circunstâncias desafiadoras e de superar adversidades sem ser afetado por elas de modo negativo e permanente.

 

Quando estão florescendo, as pessoas:

• Gostam de si mesmas – ou, ao menos, da maior parte de si mesmas;
• Possuem relacionamentos afetuosos e confiáveis;
• Veem a si próprias se desenvolvendo como indivíduos melhores;
• Possuem uma direção na vida;
• São capazes de moldar o ambiente para satisfazer suas necessidades;
• Contam com um bom nível de autodeterminação.

Se você quer algumas dicas para florescer, confira o meu post sobre como praticar a ciência da felicidade no dia a dia e viver de maneira mais plena.

Ser uma pessoa melhor e mais feliz é, no fundo, um processo que envolve passos relativamente simples – porém, extremamente desafiadores. Os desafios, na verdade, resumem-se a um só: o quanto você está disposto a abraçar e a comprometer-se com a mudança? Pense bem na resposta. Afinal, ela poderá mudar sua vida.

*A depressão é uma doença psiquiátrica e, portanto, exige acompanhamento médico.
O intuito desta publicação é apenas refletir sobre como o florescimento pode contribuir para aumentar o bem-estar das pessoas.
Para saber mais sobre o movimento Setembro Amarelo, acesse: setembroamarelo.org.br