Existe uma frase que diz que ‘guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra’. Quando não perdoamos os outros, nos colocamos em uma escravidão mental, física e emocional. A pessoa que nos feriu pode nos colocar em uma gaiola, mas somos os únicos que podemos nos libertar.

Um número cada vez maior de pesquisas indica que o perdão proporciona uma série de benefícios à saúde. Qualquer pessoa pode se tornar mais tolerante quando desenvolve hábitos como a empatia e passa a focar no lado bom das coisas.

A psicanalista brasileira, Suzana Avezum, depois de ter visto na prática os benefícios do perdão para a saúde emocional, desenvolveu uma pesquisa que apontou uma relação entre a dificuldade de perdoar e a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio.

Entre 2016 e 2018 ela avaliou 130 pacientes (65 que enfartaram e 65 que não enfartaram) que responderam dois questionários, um para avaliar a disposição para o perdão e outro sobre espiritualidade e religiosidade.

O resultado mostrou que, entre os que enfartaram 31% declararam ter tido perda significativa da fé. Entre quem não teve, o índice foi de 9%. Outro dado mostra que entre os pacientes enfartados 65% afirmaram que não estavam dispostos a perdoar. O índice foi de 35% no outro de pessoas que não tiveram o problema.

O perdão, principalmente, o incondicional pode melhorar a qualidade de vida. Já viver com mágoas, ressentimentos e tristezas pode aumentar o risco de depressão, ansiedade e problemas cardíacos.

De acordo com um estudo de 2011, do Journal of Behavioral Medicine, pessoas que praticam o perdão condicional, ou seja, só são capazes de perdoar caso a outra parte peça desculpas ou prometa não repetir a ofensa, têm propensão a morrer mais cedo do que os que perdoam incondicionalmente.

A habilidade de perdoar prevê uma saúde positiva tanto mental quanto física. O ato do perdão protege contra os efeitos negativos do estresse e faz bem tanto à saúde de quem é perdoado como, principalmente, de quem perdoa.

Frederick Luskin, um dos luminares dos estudos sobre o perdão e diretor do Forgiveness Projects, da Universidade de Stanford, identificou em suas pesquisas uma série de benefícios advindos do ato de perdoar. Alguns deles incluem redução da raiva, da pressão arterial e da depressão, além do aumento do otimismo, da esperança, da compaixão e da vitalidade física. Porém, ele adverte que perdoar não é fácil, mas, é uma competência que pode e deve ser treinada pelas pessoas que desejam ser felizes.

O indivíduo ou o acontecimento que não se consegue perdoar deixa de ter poder sobre você quando o perdão acontece. No entanto, se a pessoa pular alguma das fases, por exemplo, tentar perdoar quando nem sequer é capaz de falar sobre o ocorrido ou não está preparada para superar, ela pode ser privada dos efeitos positivos do perdão, pelo simples fato dele não ser verdadeiro.

Em seu livro ‘O Poder do Perdão’, Luskin apresenta um processo, desenvolvido por ele, composto por nove passos que ajudam a pessoa a transformar o ato de perdoar em uma prática habitual e recuperar o controle de sua vida. São eles:

 

  1. Entenda exatamente como você se sente a respeito do que aconteceu e seja capaz de articular isso, falando a respeito com pessoas de sua confiança.
  2. Assuma com você o compromisso de superar. O perdão é para você mesmo, e mais ninguém.
  3. Perceba que perdão não significa, necessariamente, reconciliação.
  4. Adote a perspectiva certa: a principal fonte de sua mágoa é o sofrimento emocional e físico que você está passando agora e não a pessoa ou evento que a causou.
  5. Pratique técnicas de controle de estresse sempre que começar a se sentir irritado ou zangado.
  6. Não espere de outras pessoas aquilo que elas não têm para dar a você.
  7. Estabeleça objetivos positivos e descubra outras maneiras de atingi-los que não seja por meio da experiência que feriu você.
  8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a melhor vingança. Ao focar em suas feridas, você está dando poder à pessoa que o feriu. Aprecie o que se tem ao invés de concentrar-se naquilo que não tem.
  9. 9. Dê um novo significado ao seu passado e inspire-se sempre em sua escolha de perdoar.
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