Você sabia que, segundo uma pesquisa realizada pela Better Balance (Beyond The Breadwinner), 74% dos homens acreditam que o tempo gasto no trabalho os impede de serem os pais que gostariam de ser?

O envolvimento do pai contribui de forma significativa para o crescimento intelectual e mental da criança e a estimula na educação, desenvolvimento de habilidades, interesse e desempenho motor e mental.

Neste sentido, a paternidade positiva – seja vinda de pais biológicos ou socioafetivos – favorece uma relação muito mais intensa e participativa dos pais na criação dos filhos.

Estudos mostram que a crença do pai sobre a importância do seu papel influencia a formação de laços mais fortes com os filhos. A paternidade positiva contribui para intensificar essas relações a partir de reflexões sobre a prática da paternidade. É comum, por exemplo, os pais se queixarem de que gostariam de passar mais tempo com os filhos. No entanto, o tempo é um recurso e não um objetivo. É realmente a qualidade do tempo e não a quantidade que mais importa.

Um pai presente só traz benefícios à criança, como o desenvolvimento de uma segurança e autoestima maiores. O pai precisa acompanhar de perto a educação dos filhos, representando um apoio e, mais que isso, um exemplo.

Conceitos básicos da psicologia positiva otimizam o relacionamento de pais e filhos

Criada em 1990 por uma corrente de psicólogos, como Martin Seligman, considerado pai dessa ciência, a psicologia positiva tem como objetivo fazer com que o indivíduo construa competências para lidar com o meio e intervir nele de forma proveitosa. É daí que provém a relevância das qualidades, virtudes e forças pessoais – fatores que fazem a vida valer a pena e que contribuem para um ambiente mais saudável.

O cultivo das virtudes capitais da sabedoria, da coragem, da humanidade, da justiça, da temperança e da transcendência são pilares fundamentais para o desenvolvimento do bem-estar subjetivo e da resiliência – a habilidade de manter-se íntegro frente às adversidades, suportando-as por meio da firmeza de caráter. Nesse processo, estão envolvidas as emoções positivas, cujo desenvolvimento amplia nossa percepção, capacidade de raciocínio e recursos internos para lidar com situações de estresse.

Por meio do conhecimento das potencialidades latentes de cada um, é possível ativar as emoções positivas e desenvolver as forças de caráter – que aumentam os níveis de bem-estar e proporcionam uma realização genuína.

Os pais devem buscar uma relação transparente com os filhos, conquistando a confiança e não impondo. O adolescente deve vê-los como adultos que são referência de autoridade e respeito. Dessa forma, podem ter em quem se espelhar como adultos emocionalmente saudáveis, no futuro. Além disso, devem valorizar os comportamentos adequados dos filhos, explicar os motivos de suas escolhas e atitudes, sendo ao mesmo tempo amorosos e firmes, usando de práticas educativas positivas.

Habilidades socioemocionais

Tanto a escola como os pais precisam incentivar os adolescentes a entender a importância de utilizar diferentes linguagens e plataformas para se expressar, compartilhar ideias, experiências e sentimentos. Assim, poderão não só desenvolver a capacidade para construir argumentos e opiniões de maneira qualificada (para defender as próprias ideias e pontos de vista), mas também:

• Compreender as relações do mundo corporativo e tomada de decisões, alinhadas ao projeto de vida pessoal, profissional e social.
• Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis para formular, negociar e defender ideias.
• Valorizar o autoconhecimento e o reconhecimento de suas emoções e dos outros, com capacidade de lidar com elas e com a pressão do grupo.
• Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e proporcionando respeito ao outro.
• Agir com consciência, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação.

Veja a seguir 5 formas de como a Psicologia Positiva pode lhe ajudar a ensinar habilidades socioemocionais aos seus filhos e que podem servir de exemplo e inspiração para uma infinidade de outras ações:

1. Estimule a generosidade.
Desde bem pequenos, incentive seus filhos a participarem de feiras de doação e troca de brinquedos e objetos. Explique o sentido da doação, porque é feita, para quem, que benefício traz, como é possível dividir quando se tem muito. Envolva as crianças na separação, na entrega, na troca. A generosidade está ligada à forma como nos relacionamos, como vemos o outro, à empatia. Outra forma de ensiná-la é explicar o benefício em dividir brinquedos com amigos, irmãos, colegas de escola.

2. Desenvolva a resiliência.
Vivemos em uma geração em que os responsáveis zelam tanto pelo bem-estar de seus filhos, que algumas vezes até os poupam de vivenciar situações importantes para sua formação: não ter aquele tênis da moda, aceitar que não almoçará sempre o que gosta, ter que faltar a uma festa porque existe um compromisso familiar. Essas frustrações não farão dos seus filhos as crianças mais infelizes do mundo. Pelo contrário, as prepararão para tolerar grandes baques que a vida adulta lhes reserva.

3. Ofereça um mar de experiências.
Cabe a nós mostrar a eles como a vida é ampla e repleta de possibilidades. A mescla de jogos tecnológicos com atividades bucólicas como rodar pião ou montar uma cabana de lençol no meio da sala. Ou ainda, andar na chuva, tomar sorvete no shopping… Tudo isso, faz com que nossos pequenos aprendizes possam formar sua noção de mundo. Que tal estimulá-la de maneira mais ampla? Claro que existem afinidades e gostos, mas é possível ampliar as experiências todos os dias. Seja ensinando uma receita culinária ou mostrando sua habilidade da era dos passinhos no moderno videogame que capta os movimentos do corpo.

4. Entenda que raiva, tristeza e “tédio” existem.
É comum os adultos desmerecerem ou minimizarem as emoções dos seus filhos desde a primeira infância. Perdemos com isso uma grande oportunidade de ensinar o autoconhecimento a eles. Muitos não conseguem verbalizar o que estão sentindo, apenas agem da forma como se sentem melhor.
A raiva é tratada com repressão. Tédio é respondido com ironia. Tristeza interpretada como preguiça. Ao invés de julgar, pergunte ao seu filho e se esforce para entender o que ele sente.

5. Lapide a consciência.
Não se pode esperar que uma criança tenha a consciência totalmente desenvolvida. Muito menos os adolescentes que, apesar de terem boas noções, ainda estão colocando-as à prova. Aqui o aprendizado de causa e efeito pode ser transmitido desde uma inocente brincadeira como plantar feijão, por exemplo, afinal nela a criança é responsável pela rega e acompanhamento de seu crescimento.
Para os mais velhos, os responsáveis servirão como espelho para transmitir esta habilidade. Compartilhe com seus filhos acontecimentos da sua vida, situações, ações e efeitos concretos, apresentando-lhes um convite para se posicionarem no mundo da melhor forma. Outro caminho é ouvir suas ambições, apoiá-los e incentivá-los para que assumam responsabilidades na conquista do que almejam, seja uma viagem, um canal de YouTube, uma banda ou um time de futebol.

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