Construir um relacionamento positivo e saudável é a escolha certa para quem deseja acertar em cheio no amor

 

Por Flora Victoria

 

Uma das datas mais especiais do calendário brasileiro está chegando. Em 12 de junho, casais de todo o País celebram o Dia dos Namorados. Mas, neste ano, a comemoração tem tudo para ser um pouco diferente desde que ela foi criada no fim da década de 1940.

O distanciamento social e os demais efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) pedem novos hábitos. Um deles – talvez, o mais significativo – é a maior valorização da presença, do carinho e da cumplicidade do parceiro ou da parceira no enfrentamento desse período tão atípico. Muito mais do que bens materiais, com certeza, esse será o melhor presente para milhares de pessoas.

E quem escolhe cultivar relacionamentos positivos só tem a ganhar. Diversas pesquisas, inclusive, revelam: pessoas que têm relacionamentos satisfatórios são mais felizes, possuem menos problemas de saúde, lidam melhor com o estresse e, de quebra, ainda vivem mais.

Isso porque, de maneira geral, os relacionamentos que estabelecemos com outras pessoas (sejam elas familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, entre outros) influenciam diretamente nossa qualidade de vida e o nosso bem-estar.

Cultivando relacionamentos positivos na pandemia

Relacionamentos, portanto, são uma parte importante do nosso cotidiano. Mas é claro que tudo isso não se constrói do dia para a noite. Eles podem – e devem – ser trabalhados diariamente de forma a trazer benefícios a nós mesmos e aos outros, por meio do apoio mútuo.

Uma contribuição fundamental para entender as dinâmicas dos relacionamentos vem da Sound Relationship House Theory. Em tradução livre, seria algo como “a casa do relacionamento saudável”. (assita ao vídeo para saber mais sobre esse assunto: https://youtu.be/B3uJKt2nMOs)

Desenvolvida pelo Dr. John Gottman, que estuda o tema há mais de 30 anos, e por sua esposa, a Dra. Julie Schwartz Gottman, a teoria possui um importante diferencial: ela foi “extraída” da prática.

Em 1986, o Dr. John Gottman uniu-se ao Departamento de Psicologia da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Juntos, eles fundaram o Laboratório de Pesquisa da Família, que ficou popularmente conhecido como o Love Lab ou “Laboratório do Amor”.

Gottman é pioneiro no uso do método científico para o estudo dos relacionamentos, tendo se tornado um dos maiores especialistas mundiais no assunto.

Durante décadas, ele e sua equipe estudaram milhares de casais voluntários no Love Lab e também em suas casas, onde a rotina foi registrada por câmeras.

Além da observação, o Dr. Gottman também realizou entrevistas e monitorou as reações fisiológicas dos casais enquanto eles interagiam. Por exemplo, analisando expressões faciais e até as microexpressões, monitorando o batimento cardíaco, verificando a pressão arterial etc.

Depois de estudar a vasta quantidade de informações e evidências, o Dr. Gottman chegou a uma conclusão. No que se refere a relacionamentos, existem dois grupos: os masters (mestres) e os disasters (desastres).

Masters são os casais que conseguem manter um relacionamento saudável e satisfatório, que gera bem-estar e crescimento. Os disasters, é claro, são o oposto disso.

A boa notícia, porém, é que os disasters, ou mesmo os que não chegam a ser um “desastre”, mas que também não são mestres, podem aprender a se tornarem masters.

A Casa do Relacionamento Saudável, portanto, é composta por três níveis. Vamos conhecer cada um deles?

Sistema da amizade: é a ligação afetiva, a confiança, o companheirismo e a cumplicidade que reforçam os laços do casal.

Sistema do conflito: refere-se ao modo como o casal lida com seus conflitos, tanto os pontuais quanto os perpétuos. E, aqui, um número impressionante: você sabia que 69% dos conflitos dos casais são perpétuos?

Sistema do significado: em um relacionamento amoroso bem-sucedido, os parceiros constroem uma vida em comum que, para eles, vale a pena ser vivida. Isso só acontece quando existem propósitos e significados partilhados, fortes o suficiente para que os dois se sintam motivados ao imaginar um futuro juntos.

O que fazer para desenvolver esses três sistemas?

Existem várias técnicas. Porém, tudo começa com a identificação e a eliminação dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, comportamentos que são “venenos mortais” para qualquer relacionamento.

Que comportamentos são esses? A defensividade, a obstrução, o criticismo e o desprezo.

Mas, felizmente, para cada um deles, existe uma espécie de antídoto que você pode colocar em prática. Isso pode salvar ou melhorar o seu relacionamento atual ou preparará você para qualquer relacionamento futuro. Anote aí:

Para a defensividade: quando você sempre está na defensiva e não escuta, o antídoto é baixar a guarda, ouvir o que o outro está dizendo e admitir a sua responsabilidade.

Para a obstrução: quando a discussão fica acirrada, o antídoto é sinalizar que você está ouvindo, dizer que não se sente em condições de conversar no momento e comprometer-se a retomar o assunto.

Para o criticismo: quando começa a criticar o outro, o antídoto é usar o feedback e estabelecer uma conversa sincera. Lembrando que um feedback bem formulado inclui reconhecer o que a pessoa fez de bom, sugerir uma melhoria e encerrar com algo positivo.

Para o desprezo: quando um despreza ou menospreza o outro, principalmente em público, o antídoto é apreciar e valorizar o companheiro ou a companheira.

 

7 passos para gerar um relacionamento saudável

A essência das descobertas do Dr. Gottman pode ser resumida em sete princípios, que são a base para fortalecer os sistemas de amizade, de conflito e de significado:

 

1) Aperfeiçoar o mapa do amor: casais emocionalmente inteligentes conhecem o universo um do outro. Eles possuem um “mapa do amor” do parceiro ou da parceira. Conhecem seus gostos, preferências, objetivos, valores, visão de mundo, anseios, temores e esperanças. Como as pessoas mudam, eles estão sempre atualizando esses mapas.  Escreva uma descrição detalhada de seu companheiro ou sua companheira, listando preferências, valores, forças, objetivos e desafios.

 

2) Cultivar afeto e admiração: o ponto de partida de um relacionamento gratificante é a crença de que seu(sua) companheiro(a) é digno(a) de respeito e de admiração. Sem isso, não há motivação para mudanças e melhorias – e, muitas vezes, não há nem sequer motivação para permanecer juntos. Além do afeto manifestado espontaneamente em suas interações rotineiras, os casais felizes dedicam 5 horas adicionais por semana ao cultivo desses sentimentos – são as chamadas “5 horas mágicas”.

 

3) Voltar-se para o outro: nos relacionamentos, costumamos fazer “lances” pela atenção do outro. Esses “lances”, que podem ser feitos sob a forma de pedidos ou de ofertas, são muitas vezes sutis e costumam ocorrer nos momentos de descontração do casal. Por exemplo: desde um sorriso, um convite para partilhar algo, uma “indireta” referente a alguma coisa que gostaríamos de receber (um elogio, um cumprimento, um gesto de reconhecimento). Voltar-se para o outro significa ficar atento aos “lances” do parceiro e responder a eles o quanto antes.

 

4) Deixar-se influenciar: significa saber partilhar o poder. Trata-se de atuar junto com o outro, e não contra o outro, de dividir decisões e negociar concessões. Responda com sinceridade: você está aberto às reivindicações de seu parceiro ou sua parceira (ou, pelo menos, a algumas delas)?

 

5) Resolver os problemas que podem ser resolvidos: tudo aquilo que pode ser resolvido deve ser solucionado o quanto antes, a fim de evitar o desgaste desnecessário. Se o casal não consegue negociar e comprometer-se até mesmo para a resolução de questões menores, como irá administrar os conflitos perpétuos? Aprenda a fazer e a receber tentativas de reparos (desculpar-se e aceitar desculpas). Dê o primeiro passo. Liste o que você pode fazer para ajudar a resolver o conflito e apresente suas sugestões a seu(sua) parceiro(a).

 

6) Sair da trincheira: os conflitos perpétuos podem levar os parceiros a se entrincheirar em suas posições, uma vez que a base desses conflitos são sonhos (nem sempre expressos claramente) e valores do indivíduo. Nesses casos, ceder é percebido como o equivalente a abrir mão de sua própria identidade. O segredo para sair da trincheira é entender e honrar o sonho do outro (o que não é o mesmo que compartilhar). Mostre a seu(sua) parceiro(a) que você entende e respeita seus sonhos, apesar das diferenças.

 

7) Compartilhar significado: o significado compartilhado é um aspecto crucial para a saúde, a longevidade e a qualidade da relação. É daí que vêm as expectativas positivas e o estímulo para a construção de um futuro a dois. Quanto mais significados o casal compartilhar (e quanto maior for a frequência com a qual isso é feito), mais profundo, enriquecedor e gratificante será o relacionamento. Para criar e compartilhar significado, é necessário trabalhar os rituais de conexão e o projeto de vida em comum do casal.

 

Em resumo: três alicerces para uma vida a dois mais feliz

  • Construa o sistema de amizade por meio do companheirismo, da confiança, do afeto e da sobreposição de sentimentos positivos.
  • Construa o sistema de conflito descobrindo os sonhos e valores que o companheiro ou a companheira guarda dentro de si.
  • Construa o sistema de significado partilhando objetivos, valores, propósitos e sonhos.

 

Agora que você já aprendeu tudo isso, que tal colocar em prática?

Assita ao meu programa PositivaMente da última 2a feira para saber mais sobre relacionamento saudável a dois.

Seguir e compartilhar: