Como cantava o poetinha Vinicius de Moraes, em sua canção Samba da benção: ‘é melhor se alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração’. Se é bom sentir alegria, como podemos cultivar essa emoção? Alegria e felicidade é a mesma coisa?

Para ser alegre é preciso estar confortável consigo mesmo, sendo quem é. Cada um é único com seus traços, forças e desafios. A alegria é algo inato a todos, mas pode ser momentânea e passageira, porque tem relação com o comportamento das pessoas e os ambientes onde estão. A alegria conecta pessoas, abre portas e gera a empatia.

A felicidade está ligada a autoconfiança, serenidade e sensação de paz interior. Como está vinculada às emoções, cada um a descreve de uma forma, já que as emoções são pessoais. É possível ser feliz e não estar alegre em determinado momento, ou vice-versa, pois muitos demonstram alegria, mas não estão exatamente felizes. Essas emoções não têm que estar necessariamente juntas.

Atualmente, há uma aparente obrigação de que as pessoas se mostrem alegres e felizes o tempo todo. Estar feliz é imperativo tanto presencialmente quanto nas redes sociais, com fotos no Instagram ou no facebook, fazendo com que real e virtual se misturem. Esbanjar felicidade online e off-line virou uma espécie de lei.

Para exemplificar o quanto isso pode ser exagerado, recentemente, em Essarts-en-Bocage, pequena cidade francesa com 9 mil habitantes, o prefeito decretou oficialmente a ‘obrigação de ser feliz’ ao longo da semana de 5 a 11 de outubro por conta da primeira edição do festival de música “Cidade feliz”. O decreto proibia a divulgação de qualquer música que pudesse ser entendida como triste ou deprimente, assim como filmes, histórias, ou livros que terminassem mal. Também pedia para que as pessoas rissem, pelo menos, três vezes por dia para produzir endorfina, hormônio do bem-estar.

Essa pressão pela felicidade exclui o sofrimento, a decepção, mau humor, raiva, sentimentos que também fazem parte do ser humano. Onde, nesse pacote de bondades, entraria a tristeza? Simplesmente não entra, ela é reprimida por ser tratada como depressão e, portanto, pode ser medicada. Essa cobrança pode surtir efeito inverso, deixando as pessoas ainda mais infelizes e frustradas.

É importante refletir que a vida real não é perfeita, pois estamos sempre em busca de algo para preenchê-la, tornando-a mais significativa e virtuosa. Mas é possível fazer isso de uma forma diferente, sem a necessidade de provar nada a ninguém, principalmente aos amigos virtuais. Até porque nem todo mundo consegue o emprego dos sonhos, nem todo relacionamento pode dar certo, as festas nem sempre são as melhores e as viagens podem não ser prioridade no momento. Enfim, essa é a vida real de quase todo mundo, com altos e baixos como uma roda gigante.

A felicidade está em pequenas atitudes que podem ser realizadas no dia a dia. Brincar com os filhos, ir ao cinema com um amigo, ler um bom livro, praticar exercícios ao ar livre, conhecer outras pessoas, fazer trabalho voluntário, ou simplesmente ajudar alguém que precisa. Não deixe que sua alegria ou felicidade dependa dos likes ou comentários que recebe nos posts das redes sociais. Saia do mundo virtual e vá ser feliz, com simplicidade, na vida real. Encare a vida de forma positiva, procure a felicidade interior que ela atrairá a alegria exterior.

Seguir e compartilhar: