Flora

Victoria

A ESTRELA DE SEIS PONTAS (os múltiplos papeis)

O BIG-BANG (o início de tudo)

Assim como o universo começou com o big-bang – uma grande expansão a partir de um ponto – o desejo de mudar o mundo, empreender e realizar começou muito cedo em mim, e também a partir de um ponto específico.

Eu tinha 8 anos de idade e me lembro, como se fosse hoje, de minha primeira experiência com a filantropia: arrecadar alimentos para ajudar uma cidade-piloto em Brasília com famílias adotivas para órfãos carentes.

Funcionava assim: eu percorria as ruas com outras crianças que participavam do projeto, batia nas portas e, com um discurso preparado, pedia doações. A ideia de participar foi de meu pai, e hoje, revendo as coisas do ponto onde estou, acredito que ele estava certo, pois aquela experiência de infância ajudou a instilar em mim a contribuição como um valor primordial e definidor.

 

No entanto, já naqueles tempos de criança, algumas dúvidas ocupavam meus pensamentos enquanto batia de porta em porta.

Será que aquele era realmente o melhor jeito de ajudar? Não seria melhor se, em vez de apenas enviar alimentos, fosse possível ajudar as pessoas a se tornarem autossuficientes e gerarem seus próprios recursos?

E se eu pudesse contribuir com minha inteligência, com o que eu sabia e com o que eu ainda iria aprender?

O fato é que, mesmo naquela tenra idade, eu já demonstrava minha principal força de assinatura: a perspectiva, ou seja, a capacidade de pensar estrategicamente e antever os melhores caminhos e soluções.

A CONSTRUÇÃO DE UM UNIVERSO
(o empreendimento Sociedade Brasileira de Coaching)

A SBCoaching nasceu em um momento decisivo em minha vida e na de Villela da Matta, meu marido e parceiro nos negócios: o dia em que decidimos deixar para trás nossas carreiras de altos executivos em grandes corporações para ir atrás de um sonho. Sonho, que de certa forma, me acompanhava desde a infância, e só fez crescer desde então.

O sonho era tornar o mundo um lugar melhor, do qual as pessoas quisessem participar e ao qual desejassem pertencer. Ao contrário de tantos ideais que nunca se materializam, o meu, de fato, veio à luz.

Quando olho para trás, vejo naqueles momentos tão definidores um poderoso elemento que só mais tarde eu iria compreender melhor: a esperança.

Tempos depois, quando me tornei pesquisadora da psicologia positiva, aprendi que, do ponto de vista científico, a esperança é muito diferente de um desejo ou de uma mera intenção.

É uma força transformadora, composta por três características ou habilidades: a capacidade de traçar objetivos claros e motivadores, de encontrar os caminhos para atingi-los e de entrar em ação.

E aqui eu gostaria de introduzir mais um elemento que descobri e comprovei na prática: a esperança é potencializada quando compartilhada por pessoas que comungam do mesmo ideal.

Essas pessoas que estiveram comigo desde o início, bem como outras que vieram depois, me ajudaram a enfrentar todo o tipo de desafio e realizar algo que parecia impossível: a construção de um universo chamado Sociedade Brasileira de Coaching.

O coaching foi o veículo que escolhi para atuar no mundo de um modo positivo, eficaz e altamente transformador. A descoberta do coaching e da incrível capacidade que esse processo possui de ampliar horizontes, estimular a alta performance e trazer à tona o potencial que, muitas vezes, nem sequer sabemos que temos, foi um divisor de águas em minha vida.

 

É uma força transformadora, composta por três características ou habilidades: a capacidade de traçar objetivos claros e motivadores, de encontrar os caminhos para atingi-los e de entrar em ação.

Antes de chegar lá, porém, os desafios foram gigantescos. No ano de 1999, que agora parece tão remoto, fundei oficialmente, em parceria com Villela, a Sociedade Brasileira de Coaching. Pensar naquele ano é como mergulhar em uma viagem no tempo, com diferentes recortes aos poucos compondo o cenário no qual demos início ao nosso empreendimento.

Um rápido vislumbre desse cenário traz à memória alguns desses recortes.

– Em 1999 (assim como em 2017), Bill Gates era o homem mais rico do mundo, segundo a Forbes.

– O euro, a moeda comum europeia, começava a ser usado pela primeira vez em transações financeiras, e o objeto de desejo no que dizia respeito aos celulares era os que permitiam enviar e receber “torpedos”.

– O filme Central do Brasil concorria a dois Oscars, Britney Spears e Jota Quest dominavam as paradas de sucesso brasileiras e a novela da qual todos falavam era Terra Nostra, de Benedito Ruy Barbosa.

– O cenário econômico não era auspicioso devido à crise cambial ocasionada pela desvalorização do Real, baixo crescimento do PIB e déficits crescentes em transações correntes – para não falar do efeito desestabilizador de sucessivas crises internacionais ocorridas ao longo da década de 1990 (México, “Tigres Asiáticos” e Rússia).

Nesse contexto, a decisão de abandonar a carreira na qual havia conquistado uma respeitável posição e investir tudo o que havia sido economizado com muito suor em um novo negócio pode soar ousada. E se o foco desse novo negócio fosse o coaching – algo que, no Brasil daquela época, praticamente ninguém conhecia nem sabia o que era – a decisão pode parecer ainda mais surpreendente. No entanto, é destino do pioneiro correr riscos, desbravar novos caminhos, fazer o que ainda não foi feito.

Munida de minhas forças e de uma inabalável esperança, abracei o desafio. Estava convicta de que, quanto mais as pessoas, os times, os líderes e as empresas compreendessem o que é o coaching e quais são os seus benefícios, maior seria a procura por esse processo e mais vidas e negócios seriam transformados para melhor.

Contudo, a pedra angular desse universo que comecei a construir era oferecer ao público uma formação em coaching de qualidade, com a credibilidade que só resultados comprovados podem oferecer, pautada pela ética e pela seriedade e com uma metodologia altamente eficaz. Disponibilizar ao coach a melhor formação era – e ainda é – um passo fundamental para que o público pudesse confiar no coaching e dele se beneficiar.

O fato é que a aposta deu resultados – e que resultados! O coaching conquistou um espaço inédito entre o público brasileiro, tornando-se, de uma palavra praticamente desconhecida, o sinônimo de credibilidade e confiabilidade.

Desde aquele longínquo início até agora, formamos milhares de coaches que têm contribuído ativamente para o aumento de resultados de pessoas, times e empresas.

E a SBCoaching tornou-se uma empresa líder de mercado, que sempre busca renovar-se oferecer o que há de melhor para o seu público, que investe pesadamente em pesquisas e que possui seu próprio núcleo de desenvolvimento de produtos, sua própria editora, uma divisão internacional e, também, um braço que se vale da filantropia para que o coaching e a psicologia positiva possam beneficiar cada vez mais pessoas – inclusive as que não podem pagar.

Porém, em vez de descansar sobre os louros da vitória, resolvi partir para novos desafios. Como já acontecia desde minha infância, aquele impulso de fazer mais, melhorar e explorar novos caminhos – em outras palavras, o impulso da melhoria contínua – voltou a me instigar.

E foi assim que em 2012 lancei no Brasil o primeiro treinamento de coaching e psicologia positiva do país – o Positive Coaching. Unir o coaching à psicologia positiva – a área da psicologia que estuda, cientificamente, o que o ser humano tem de melhor, o que o faz triunfar em meio às adversidades e viver uma vida plena de significado – era outro de meus sonhos.

O resultado? Creio que posso expressá-lo com as palavras que Martin Seligman, o “pai” da psicologia positiva, usou quando esteve aqui em março de 2017 para participar da quarta edição do nosso Fórum de Negócios, Liderança e Coaching.

Na abertura de sua palestra, quando eu e Villela compartilhávamos o palco com ele, Seligman nos pegou de surpresa ao dizer repentinamente para a multidão que esperava ansiosamente para ouvi-lo:

 

“É uma honra para mim ser convidado por duas pessoas que criaram a empresa de coaching de maior sucesso em todo o mundo. Ninguém mais, em nenhum lugar do mundo, conseguiu fazer o que vocês fizeram”.

É difícil descrever as emoções que senti naquele instante. Foi como se, no espaço de um segundo, toda minha vida passasse diante de meus olhos, a começar por aquela menina que pensava em mudar o mundo enquanto pedia doações para ajudar famílias carentes, e culminando com a executiva que abrira seu caminho em um mundo com frequência hostil às mulheres, e à master coach que fizera da produção e da disseminação do conhecimento a sua missão.

Falo em reconhecimento não com o objetivo de apresentar credenciais, mas de mostrar até onde um sonho pode nos levar.

E também para partilhar esse sonho com as dezenas de milhares de pessoas e instituições que, ao longo dos anos, confiaram em nós o suficiente para nos deixar entrar em suas vidas e em seus empreendimentos.

É com grande honra que digo a elas e a muitas outras que ainda virão:

“Bem-vindas à SBCoaching. Esta história de sucesso também é de vocês”.