Com o crescimento do home office, essa é uma importante ferramenta para você redescobrir o significado do seu trabalho e se adaptar melhor às mudanças

 

Por Flora Victoria

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) provocou uma verdadeira reviravolta não só na vida, mas também na carreira de milhares de pessoas mundo afora.

Do dia para a noite, profissionais de diferentes áreas e segmentos de atuação no mercado tiveram de se habituar a trabalhar em casa. E, ao que tudo indica, esse novo modelo, definitivamente, chegou para ficar.

Isso é o que revela uma recente pesquisa realizada pela Robert Half, empresa de recrutamento que seleciona profissionais especializados para cargos de média e alta gerência.

De acordo com o levantamento feito com 800 pessoas, mesmo trabalhando mais, 86% delas gostariam de continuar no home office. Além disso, 49% dos entrevistados disseram ter melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal sem o deslocamento diário.

Por outro lado, um estudo conduzido pelo LinkedIn no mês de abril com 2 mil profissionais revelou que 62% dos brasileiros ficaram mais estressados com o trabalho remoto.

Todos esses dados, na verdade, chamam a atenção para um ponto bastante importante: cumprir as tarefas em casa requer que cada um de nós repense a sua própria maneira de trabalhar.

Essa adaptação, aliás, está ligada a um conceito que, talvez, você já tenha vivido na prática, mas ainda não conhece pelo nome: o job crafting. (Assista ao vídeo https://youtu.be/_LYWjWAbG4o)

Esse termo tem a ver com a constante reconstrução do significado do trabalho. Na prática, ao recriar o modo como desempenha suas atividades, você vai realizar coisas mais significativas e alinhadas com suas forças, talentos e interesses. E ainda ganha mais produtividade, por meio da relação afetiva que passa a ter com as funções exercidas.

Quando surgiu e como usar essa ferramenta?

A pesquisa que originou o termo job crafting foi feita no início dos anos 2000 por Jane Dutton, professora na Universidade de Michigan e Amy Wrzesnieswski, que na época era estudante, mas hoje dá aulas em Yale.

Naquela época, elas queriam estudar pessoas que atuavam em profissões consideradas desvalorizadas. Para tanto, entrevistaram uma equipe de limpeza de um hospital para analisar as diferentes percepções de indivíduos com o mesmo emprego.

Após a observação, notaram que, enquanto parte das pessoas desempenhava sua função por obrigação, outras encontravam em seu trabalho algo que lhe dava significado e entendiam sua atividade como parte do processo de cura dos pacientes, por exemplo. E, assim, surgiu o entendimento do valor que atribuímos ao nosso trabalho.

Mas, afinal, como é possível implementar o job crafting no escritório ou, até mesmo, no home office?

A lógica desse modelo é que você crie o seu próprio trabalho a partir de três aspectos:

  • Tarefas: trata-se da efetiva alteração das suas atividades e tarefas do dia a dia. Desde simples atitudes como estabelecer prioridades e dispensar atividades até criar projetos, desenvolver uma nova rotina de horário e manter a organização das entregas.
  • Relacionamentos: significa renovar seu relacionamento interpessoal com os outros. É o momento em que você reflete sobre como pode ajudar clientes e colegas de trabalho com suas habilidades. No isolamento, mesmo à distância, é possível se manter próximo à equipe e oferecer auxílio, por exemplo. Como você poderia contribuir com a empresa além das atividades que já desempenha?
  • Cognição: é a reformulação do jeito que você enxerga seu trabalho. Ou seja, a mudança que ocorre na maneira como percebe o impacto daquilo que realiza. De que forma o seu trabalho faz a diferença na vida das pessoas? Por que a sua atividade é importante?

 

Agora que você já conhece o conceito de job crafting, que tal colocá-lo em prática?

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