Viajar é se transformar. Quando você sai pelo mundo afora com uma passagem na bolsa, uma bagagem na mão, pouco ou quase nenhum contato no destino escolhido e milhares de sonhos na cabeça uma coisa é certa: você não voltará do mesmo jeito que saiu. Cada descoberta proporcionada pela experiência vai acrescentar em você novos sentimentos e uma nova forma de olhar e viver a vida.

Hoje, falo exatamente sobre isso: a importância de viajar para florescer. No livro Turismo Positivo, Mihaly Csikszentmihalyi, um dos principais expoentes da Psicologia Positiva, reúne estudos realizados por diversos pesquisadores sobre o tema. As rotas para o florescimento por meio desses estudos trazem descobertas recentes que comprovam que viajar melhora a interação pessoal, expande o crescimento e ajuda a desenvolver e fortalecer a nossa identidade. Fundamentado em estudos da psicologia positiva e por pesquisas originais relatadas neste volume internacional, ele mostra como o turismo afeta positivamente pessoas, sociedades e ambientes de múltiplas maneiras.

Viagens de férias oferecem um nível de liberdade que normalmente não encontramos em nosso cotidiano. Por essa razão, quando saímos da nossa zona de conforto para explorar o desconhecido nos tornamos capazes de desempenhar papeis diferentes daqueles que estamos acostumados. E é isso que nos desafia a fazer coisas novas e usar habilidades que nem sabíamos que tínhamos.

Viajar, se afastar da rotina pessoal e profissional e buscar contato com pessoas, culturas e costumes diferentes expande nossos horizontes. É como se algo se transformasse ou ampliasse dentro de nós, e esse rico aprendizado pode e deve ser aplicado em nossas vidas quando voltamos. O distanciamento geográfico nos dá uma perspectiva diferente para refletirmos sobre nossas vidas e encontrar soluções para velhos problemas.

O psicólogo norte-americano Dr. Thomas Gilovich é autor de outro estudo importante sobre o tema. Para o professor de Psicologia da Universidade de Cornell, a receita para ser feliz é simples: investir em experiências, e não em coisas.

Esta foi a conclusão a que ele chegou após uma série de estudos psicológicos feitos por ele e outros pesquisadores que resultou em um artigo publicado na revista científica Experimental Social Psychology que explica a lógica por trás dessa constatação. Segundo o psicólogo, os bens materiais dão uma sensação momentânea de felicidade, enquanto as experiências – como viagens, shows e passeios – se tornam parte de nós, criando laços e proporcionando lembranças para a vida toda.

Em um dos estudos, os participantes tiveram que relacionar sua própria felicidade compras de bens materiais e com experiências. Inicialmente, os dois tipos foram considerados igualmente importantes. Mas, ao longo do tempo, a satisfação do primeiro grupo diminuiu, enquanto as experiências em que eles investiram dinheiro foram ganhando mais importância.

Outra razão para a felicidade é o fato de as experiências compartilhadas ajudarem a conectar as pessoas. As viagens, por exemplo, são oportunidades para aproximar e fortalecer relacionamentos. Quando viajamos com amigos ou em família, os laços que nos unem se estreitam pela experiência partilhada, como um time. Além disso, explorar novos lugares nos faz entrar em contato com o significado disso, sobretudo quando orientado por um propósito que nos define. E o contato com esse significado se torna ainda mais transformador quando a viagem se transforma em um divisor de águas, como um casamento ou a celebração de uma conquista que dá início a uma nova e excitante fase da vida.

Consumir é preciso, e não há como viver sem isso. Mas é necessário consumir de um jeito diferente, incluindo impactos sobre nós mesmos. Um desses caminhos é o das experiências que valorizam as emoções positivas, que rendem lembranças e criam laços por toda a vida. Pense nisso quando for programar e fazer a sua próxima viagem. Afinal, ao conhecer novos lugares e culturas você se conhecerá mais.

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